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Um Pulo Na Enxurrada

domingo, 30 de novembro de 2014

— Que chuva maravilhosa, Deus! Que chuva maravilhosa! — Dizia ela sorridente com seu pai ou irmão mais velho, eu não os conheço, então não sei de quem se trata o sujeito, mas ela, ah... ela é totalmente inesquecível, aquela voz falhada por causa dos seus sorrisos entraram na minha cabeça como música.
— Que chuva maravilhosa, Deus! Que chuva maravilhosa! — Tive o presente de ouvir isso pertinho de meus ouvidos, ela olhou para mim com os dentes a mostra e repetiu olhando pro chão para não cair.
A chuva parecia brincar com ela, ou ela quem brincava com a chuva? Não... Certeza a chuva brincava com ela... Cada passo que ela dava, dava para sentir o vento e a água acompanhando aqueles pezinhos calçados por um par de sandálias velhas.
— Que chuva maravilhosa, Deus! Que chuva maravilhosa! — Estava eu dizendo olhando ela partir de mãos  dadas com o sujeito...
Cada gota que batia em meu rosto mostrava que aquela menininha tinha razão, a chuva estava maravilhosa... Tão maravilhosa que não aguentei e repeti com todas as forças: — QUE CHUVA MARAVILHOSA, DEUS! QUE CHUVA MARAVILHOSA!
Agora sim, eu parecia tão contente quanto aquela garotinha que passou por mim, passou como uma enxurrada e eu pulei...

Autor: Reinaldo Melo - Campo Grande/MS

Meia Estrela

Ela lava, passa, cozinha, faz tudo. Faz tudo pensando em seus filhos que esperam famintos por comida, não, isso não é um caso de pobreza extrema, é apenas a mulher que caminha todo dia dentro daquele hotel. Não é um dos melhores hotéis da cidade, acho que não chega nem a meia estrela, mas lá estava ela, fiel todos os dias. Bebia bastante, mas no outro dia estava de pé para ir pro trampo, gostava de fazer aquilo não por sua causa, não porque a barriga aperta, mas porque seus filhos estão famintos.
Ela é assediada, molestada, mas não liga pra isso, o importante é ver seus filhotes satisfeitos.
— Estava boa a comida? — Perguntou ela ontem ao mais velho que em um pulo abraçou sua tão lutadora mãe.
— Estava ótima, mamãe!
O sorriso abriu aquela hora, dava pra ver a sua satisfação em satisfazer sua cria. Ela faz isso todo santo dia, menos final de semana, sua folga. Mas creio que segunda ela volta àquele muquifo. Levanta cedo com aquele sorriso forçado, lógico, ninguém gosta de acordar cedo, mas ela luta contra suas vontades e vai à luta por seus menininhos.
— Mais tarde estou de volta. Me dê uma ajudinha na casa. Mamãe já vai! — Dirá ela amanhã e tudo será como é, como o dia de toda mulher brasileira.

Autor: Reinaldo Melo - Campo Grande/MS

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terça-feira, 25 de novembro de 2014

Bom dia. Sou Cleiton Andrade, finalista das Olimpíadas de Língua Portuguesa. Em breve as crônicas começarão a serem publicadas. Obrigado pela atenção.