-E agora: é
para a esquerda ou para a direita?- Perguntou o Marido, parando o carro numa
bifurcação da estrada.
-Como assim
“pra onde”, tu não sabe o caminho?- Respondeu a Mulher.
-Eu nunca
disse que sabia. Não perguntou pra Comadre?- Revelou Ele.
-Não, não
perguntei. Vínhamos aqui direto, pensei que tu soubesse o caminho- Disse Ela já
antevendo um baita atraso na festa.
-Sim, mas
quando os visitamos pela ultima vez, a Gabi tinha 9 anos e hoje ela está completando
15- Disse Ele exaltando-se.
-E agora?-
Desesperou-se a Mulher, encabulada com a rapidez do tempo, dando uma olhada no
retrovisor para recontar as –quase nulas- rugas.
-Precisamos
escolher: esquerda ou direita.
-Lembro que
tinha uma placa de madeira na entrada... – murmurou Ela pensativa- A mensagem
que a Comadre me mandou dizia que é depois do bar do Romualdo a 2ª à esquerda.
-Vamos ir pela
direita então, até achar o tal bar. Afinal de contas, não deve ter mudado tanto
assim, né?!- Disse Ele, sem nem mesmo acreditar em suas próprias palavras.
Seguiram por
uma estradinha de chão por mais ou menos uma hora. Passaram por pequenas casas
que pareciam engolidas pela escuridão e por no mínimo 7 bares! Mas infelizmente
nenhum deles era o do Romualdo.
-Não lembrava
que fosse tão longe.
-Serio
Mulher?!- e o sarcasmo fervia em sua voz- Não tem como ligar pra Comadre?
-Aqui não tem
sinal pra celular de nenhuma operadora, ou tu se esqueceu disso também?!-
Irritada Ela já não agüentava o banco desconfortável do carro.
-Espera aí, a
culpa não é minha! Eu nem mesmo estava a fim desse aniversario! Tu que combinou
tudo, só não o endereço!
Um silêncio
cortou a noite, e o casal cansado não pôde nem quis discutir mais. Só queriam
voltar pra casa. E o fizeram seguidos pela orquestra de grilos que se tornara
ensurdecedora.
Já perto da familiar bifurcação, começaram a
lamentar-se:
-A Gabi ta
fazendo 15 e nem vamos vê-la- choramingou a Mulher.
-Você diz. E Mamãe?!
Não vai me perdoar tão cedo, por perder a visita dela... – Previu o Marido- O
que você acha? Esquerda?
- Esquerda! –
Respondeu Ela com entusiasmo em seu ultimo fio de esperança.
Seguiram pela
esquerda e, mal haviam se passado 5 min, encontraram o Romualdo, e o seu bar
estava o mesmo, assim como a placa de madeira na entrada.
20 minutos e
chegaram ao seu destino. Mais tarde, na volta, vieram decorando cada
detalhe, cada qual com um lado do caminho, repetindo em voz alta e anotando
cada buraco, arvore e cerca... Para que no próximo aniversario tenham esquecido
tudo outra vez.
Autora: Danielly Lopes - Araguaína/TO