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Esquerda ou direita?

segunda-feira, 30 de março de 2015


-E agora: é para a esquerda ou para a direita?- Perguntou o Marido, parando o carro numa bifurcação da estrada.
-Como assim “pra onde”, tu não sabe o caminho?- Respondeu a Mulher.
-Eu nunca disse que sabia. Não perguntou pra Comadre?- Revelou Ele.
-Não, não perguntei. Vínhamos aqui direto, pensei que tu soubesse o caminho- Disse Ela já antevendo um baita atraso na festa.
-Sim, mas quando os visitamos pela ultima vez, a Gabi tinha 9 anos e hoje ela está completando 15- Disse Ele exaltando-se.
-E agora?- Desesperou-se a Mulher, encabulada com a rapidez do tempo, dando uma olhada no retrovisor para recontar as –quase nulas- rugas.
-Precisamos escolher: esquerda ou direita.
-Lembro que tinha uma placa de madeira na entrada... – murmurou Ela pensativa- A mensagem que a Comadre me mandou dizia que é depois do bar do Romualdo a 2ª à esquerda.
-Vamos ir pela direita então, até achar o tal bar. Afinal de contas, não deve ter mudado tanto assim, né?!- Disse Ele, sem nem mesmo acreditar em suas próprias palavras.
Seguiram por uma estradinha de chão por mais ou menos uma hora. Passaram por pequenas casas que pareciam engolidas pela escuridão e por no mínimo 7 bares! Mas infelizmente nenhum deles era o do Romualdo.
-Não lembrava que fosse tão longe.
-Serio Mulher?!- e o sarcasmo fervia em sua voz- Não tem como ligar pra Comadre?
-Aqui não tem sinal pra celular de nenhuma operadora, ou tu se esqueceu disso também?!- Irritada Ela já não agüentava o banco desconfortável do carro.
-Espera aí, a culpa não é minha! Eu nem mesmo estava a fim desse aniversario! Tu que combinou tudo, só não o endereço!
Um silêncio cortou a noite, e o casal cansado não pôde nem quis discutir mais. Só queriam voltar pra casa. E o fizeram seguidos pela orquestra de grilos que se tornara ensurdecedora.
 Já perto da familiar bifurcação, começaram a lamentar-se:
-A Gabi ta fazendo 15 e nem vamos vê-la- choramingou a Mulher.
-Você diz. E Mamãe?! Não vai me perdoar tão cedo, por perder a visita dela... – Previu o Marido- O que você acha? Esquerda?
- Esquerda! – Respondeu Ela com entusiasmo em seu ultimo fio de esperança.
Seguiram pela esquerda e, mal haviam se passado 5 min, encontraram o Romualdo, e o seu bar estava o mesmo, assim como a placa de madeira na entrada.
20 minutos e chegaram ao seu destino. Mais tarde, na volta, vieram decorando cada detalhe, cada qual com um lado do caminho, repetindo em voz alta e anotando cada buraco, arvore e cerca... Para que no próximo aniversario tenham esquecido tudo outra vez. 
   Autora: Danielly Lopes - Araguaína/TO

Uma ideia falta, mas passarei o meu recado.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Tem dias que ideias faltam-me. E parece que entro em uma dívida interna. Lamento a falta de inspiração. Até por que uma crônica de boa tarde seria uma ótima ação. E, por que então, não tentar abrir o coração?

Às vezes temos certeza do que sentimos, ou não, e dá uma vontade absurda de escrever sobre aquilo. Às vezes a mensagem que queremos passar é simples mas a língua trava, o seu coração está bem aberto, mas a língua trava... E vez por outra frusta o escritor, temos sede de terminar logo um texto e depois mostrá-lo para alguém. E como não quero que esse peso fique comigo, por hoje, tentei escrever um pouco, até porque parar para pensar e vê que falhou talvez me torne melhor do que outro que nem ao menos tentou. 

Mas olhe só, leitor, o prazo já passou! Já é quase noite e não consegui passar o que em minha mente pesou... Mas sabe, queria mesmo que nosso dia fosse regado. Regado de "bom dia", "boa tarde" ou ''boa noite'' (coisas que hoje em dia são totalmente desconhecidas e consideradas por muitos ''inconvenientes''). Hoje em dia só se faz isso por rede social, mas o que o ser humano mais sente falta é do tal contato pessoal. E se ao menos metade visse a necessidade de um simples gesto como este, o mundo estaria mais ameno, mais amável e por fim, melhor habitado.

E lamentavelmente hoje não me parece o melhor dos dias como escritora, mas que possamos deixar as boas regalias fazerem parte do nosso dia a dia. Uma vez que, outrora, estas por muitos foram esquecidas.


Letícia Ganassini, Brasília - DF.

Dilema

segunda-feira, 9 de março de 2015

á com a mochila nas costas, Caíque se dirigia novamente ao ponto de ônibus, rumo a faculdade.
Estava com o corpo fadigado, depois de ter distribuído abraços grátis na Praça da Alfândega. Afinal, foi um domingo cansativo: muitas selfies, likes e retweets. Mas o mais maçante foi ter que escrever "Free Hugs" nas cartolinas, azuis e verdes, com caneta hidrocor rosa. 35 cartazes... Puxa!
Subiu no coletivo. Depois de ter pago a passagem — mais cara, após o reajuste — percebeu que lhe foi cobrado o preço normal, até porque havia esquecido sua carteirinha do passe estudantil. Então, não podia — nem devia — reclamar. Nem se deu ao trabalho de ler os avisos colados atrás do cobrador. Atravessou a catraca e se viu em pé, em meio a sovacos cabeludos e bundas empinadas. Todos estavam apertados como sardinhas enlatadas, e o ônibus não tinha ar-condicionado.
O cheiro era tão nauseante que Caíque esteve a ponto de vomitar. Um misto de roll-on com CC, cebola e Musk. Aquela essência extravagante parecia lhe impregnar até a alma. O calor de, digamos, 360 °C, fazia o odor exalar com ainda mais intensidade. O ar poluído ia grudando no suor da sua testa, pinicando, e criando uma camada de sujeira.
— Como eu queria botar um limão no sovaco dessa gente — murmurou —, talvez eles não saibam que existe Colgate também.
Seu ponto estava chegando. Puxou a cordinha. Desceu. Suspirou de alívio. Limpou a testa. Suspirou de novo. Foi se dirigindo a faculdade, quando Luciana — uma amiga — lhe puxou:
— Aonde tu vai, Caíque? — ela falou.
— Pra facul, ué — ele respondeu.
— Olha pro cartaz — ela retrucou, apontando para um cartaz na entrada da faculdade.
O cartaz dizia, em letras garrafais:
BOM FERIADO.
— O QUE?????!!!!!?! — Caíque gritou.
— Achei que tu soubesse — Luciana lhe disse, prosseguindo seu caminho.
— Ainda bem que eu trouxe os cartazes que eu fiz para o protesto contra o aumento da passagem — ele disse, retirando os rolos de cartolina — vou ao protesto a pé mesmo.
Assim Caíque foi andando até a manifestação, com os rolos de cartolina no braço, rumo para a aglomeração urbana reinvidicadora, para sentir o inebriante perfume misto de roll-on, CC, cebola e Musk, mas com algumas vantagens: muitas selfies, likes e retweets.

Persiste irritante

quarta-feira, 4 de março de 2015

     Mais uma cansativa noite em processo. Terei que conviver com essa inimiga que me visita toda noite por mais dias e dias até o fim dos tempos (Quer dizer, ao fim dos MEUS tempos)? A insônia me chama a conversar durante a noite e relutante viro de lado na cama para que tal não me atormente mais. Em vão, a danada parece disposta a me entreter a qualquer custo.
     No fim, acabo cedendo minha noite de sono àquela persistente irritante. Conversamos sobre assuntos que minha rotina corriqueira não permitia sequer imaginar. Muitas coisas para pensar, coisas que esqueci de refletir ou que achei banal demais na hora.
     O que vou fazer da vida? Que medidas devo tomar a partir amanhã quando acordar? Será que devo chamar aquela garota pra sair? Será que tem episódio novo daquela série que estou acompanhando? O que vou comer amanhã? O que tem de bom na geladeira?
     Esta pergunta me faz esquecer da visita não tão inesperada e ir direto pra cozinha. Como não havia pensado naquilo antes? O motivo da insônia vir ao meu encontro era a fome que passei durante todo o dia e - novamente - por causa da rotina corriqueira esqueci-me de comer.
     Quem diria, não é verdade, leitor? A insônia não veio ao meu encontro, mas sim ao encontro de sua prima distante, a fome. Preparei um caneca de chocolate quente para tomar enquanto lia meu livro favorito debaixo das cobertas naquela madrugada congelante.
     Lambendo a última gota de chocolate quente da caneca, guardei o livro e me deitei, com a certeza de que a insônia teria ido em busca de outro palerma que esquecera de comer por causa de uma rotina corriqueira.

Autor: André Figueiredo de Melo - Areado/ MG

Dia de aguaceiro

segunda-feira, 2 de março de 2015

      Pelas grandes janelas da escola, dava para ver a previsão passada no jornal se concretizando. O céu estava realmente negro e as nuvens pareciam tão pesadas que poderiam desabar a qualquer momento.
      Bate o sinal, meio dia e vinte, hora de ir para casa. Um tumulto já esperado se formou nas rampas que dão acesso ao segundo andar do prédio. Todos queriam chegar em casa antes da tempestade.
      Mesmo morando bem perto, desci a pequena e pacata rua rapidamente, mas minha casa parecia nunca chegar.
      Assim que cheguei a chuva caiu, começou devagar, mas em poucos minutos ficou tao intensa que as gotas, que batiam no teto, mais pareciam pedras.
      Pela janela da cozinha, eu via as plantas do quintal sendo massacradas pela tempestade, sem nenhuma forma de defesa, elas, como muitas pessoas queriam que o sol voltasse logo.
      Depois de quase duas horas de chuva, o tempo finalmente abriu. Fui para fora conferir os estragos causados pela mesma, e os estragos foram grandes.
      As folhas das árvores ficaram todas quebradas; as flores caídas, murchas, com suas pétalas arrancadas e todas embarreadas; na velha aceroleira não sobrou uma fruta se quer; nos vizinhos, telhas se soltaram do telhado , arvores foram arrancadas , houveram estragos por toda a cidade.
     No outro dia vieram os comentários negativos e as reclamações, pessoas de todas as idades falando sobre a chuva , e então surgiram frases como "para que chover?", "odeio chuva" e até "nossa, São Pedro judiou".
    Para mim não foi problema ,amo chuva , mas o ser humano nunca está satisfeito, se chove:"odeio chuva" se não chove, vem a falta d'água e mais reclamações.

Maria Luiza Pacheco_Nuporanga, Sp