Mais uma cansativa noite em processo. Terei que conviver com essa inimiga que me visita toda noite por mais dias e dias até o fim dos tempos (Quer dizer, ao fim dos MEUS tempos)? A insônia me chama a conversar durante a noite e relutante viro de lado na cama para que tal não me atormente mais. Em vão, a danada parece disposta a me entreter a qualquer custo.
No fim, acabo cedendo minha noite de sono àquela persistente irritante. Conversamos sobre assuntos que minha rotina corriqueira não permitia sequer imaginar. Muitas coisas para pensar, coisas que esqueci de refletir ou que achei banal demais na hora.
O que vou fazer da vida? Que medidas devo tomar a partir amanhã quando acordar? Será que devo chamar aquela garota pra sair? Será que tem episódio novo daquela série que estou acompanhando? O que vou comer amanhã? O que tem de bom na geladeira?
Esta pergunta me faz esquecer da visita não tão inesperada e ir direto pra cozinha. Como não havia pensado naquilo antes? O motivo da insônia vir ao meu encontro era a fome que passei durante todo o dia e - novamente - por causa da rotina corriqueira esqueci-me de comer.
Quem diria, não é verdade, leitor? A insônia não veio ao meu encontro, mas sim ao encontro de sua prima distante, a fome. Preparei um caneca de chocolate quente para tomar enquanto lia meu livro favorito debaixo das cobertas naquela madrugada congelante.
Lambendo a última gota de chocolate quente da caneca, guardei o livro e me deitei, com a certeza de que a insônia teria ido em busca de outro palerma que esquecera de comer por causa de uma rotina corriqueira.
Autor: André Figueiredo de Melo - Areado/ MG
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Persistente irritante kkkkk Gostei demais!
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