Bonequinha portuguesa
domingo, 9 de agosto de 2015
As tenebrosas e carregadas nuvens, que escondiam o lindo pôr do sol que daqui se costuma ver, já mostravam que algo de ruim aconteceria naquela tarde.
Confesso-lhe, caro leitor, que não sou uma menina muito organizada e digo-lhe ainda que essa foi uma das raras vezes que eu mesma arrumei meu quarto, mas com o tempo fechado como estava e todos meus livros da estante já lidos, não me restou outra coisa a fazer.
Comecei a faxina. Pano, vassoura, desinfetante (para dar aquele cheirinho de limpeza), detergente multiuso e um cesto para abrigar as roupas que se encontravam no chão. Depois de amontoar as roupas sujas no cesto, passar pano no chão e arrumar a cama, chegou a hora de tirar pó da cômoda.
Tirei cuidadosamente os enfeites e porta-jóias que ficam em cima do móvel. Tudo ia bem, até que minhas mãos, escorregadias por causa do detergente deixaram a ultima peça cair.
Uma bonequinha de louça, vestida formalmente com um vestido longo e rodado de seda, todo lilás e com bordados pretos na barra. Usava também, uma boina da mesma cor e tecido do vestido, por cima de seus longos e cacheados cabelos castanhos. Era linda, e tinha sido trazida de Portugal especialmente para mim, sem duvidas o meu xodó.
Perna para um lado, pezinho para o outro; braços partidos em dezenas de pedaços, do corpo nada sobraram além de cacos. Somente o vestido e os cachos não foram danificados pela queda.
Após alguns minutos contemplando aquela triste cena, peguei a pá e recolhi os cacos – os meus e os da boneca - lentamente e, com os olhos cheios de lagrimas, joguei-os no lixo.
Hoje o vestidinho de seda veste, um pouco apertado, uma outra bonequinha, dessa vez de plástico e eu nem me atrevo mais a tirar pó de meu quarto.
Autora: Maria Luiza Pacheco - Nuporanga / SP
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Crônica linda Malu *-*
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