“Tua mulher tá te traindo” com os dedos ágeis eu tinha escrito. Uma mexidinha na configuração do SMS e pronto! Anônimo, claro. Eu estava segura a ponto de mostrar ao meu pai quem era de verdade essa piriguete que ele colocou em nossa casa.
-Você precisa de alguém pra substituir sua mamãe, já faz um ano querida... – Ele tinha dito.
-Eu preciso?! Ah!- Eu era o sarcasmo em pessoa - Não importa se já passou um ano que ela se foi naquele maldito acidente! Ninguém vai substituir a minha mãe... Nunca! – disse. Mas foi o mesmo que não ter dito. Duas semanas depois e a lambisgoia tinha se apossado da vida da minha mãe... Da minha vida.
Naquele tarde ele iria saber. Ele tinha que acreditar por que eu não suportava mais ficar assistindo aquela bruxa trocar meu pai pelo amante. Ou como ela costumava dizer, o “primo distante do Sul”. Aquilo tudo estava me deixando insegura, frágil e gradativamente louca. E sem pensar em nada, decidi apenas não mais passar por isso outra vez.
Era só tocar ENVIAR na tela e... resolvi então não enviar o SMS, eu não tinha nada que me meter, não é mesmo?! Pronto foi isso, apenas deixei pra lá.
Mas o celular deu xabu, travou e não quis voltar nem com reza! Tentei reiniciar. Reiniciei, mas não foi como eu imaginei, deu problema. A porcaria da mensagem já havia sido enviada. E o pior não foi pro numero do meu pai, mas pro Sr. Mário Amorim meu vizinho. Foi um acidente assim como a morte da minha mãe, só que esse eu poderia consertar, se não estivesse mega atrasada pra escola.
-Mas que pitombinha – lembro de ter dito pela primeira vez de muitas, naquele dia.
Pensei que contar o mal entendido pro seu Mário depois da escola não seria problema. Afinal os meus vizinhos eram apaixonados. E segundo Dona Nena, esposa de seu Mário, eles estavam pra comemorar 25 anos de casados com um baita festão que teria até uma cascata de chocolate iguais as da novela das 11. O amor deles ao contrário do que os meus pais sentiam, não ia morrer. Acidentalmente não foi isso que aconteceu com meus pais, pois acidentes acontecem e eu precisaria aceitar que algumas vezes o amor morre, mata e outras ainda, vive eternamente... Amor como o que eu ainda sinto pela minha mãe.
Autora: Danielly Lopes - Araguaína / TO
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