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Ciúme que não mata

segunda-feira, 6 de julho de 2015

          Em duas semanas completariam bodas de prata. Na ultima viagem de férias aproveitou que ele não pôde deixar o trabalho e organizara tudo com antecedência na capital.
          Planejara sozinha a comemoração que marcaria o ápice do amor dos dois. Casa cheia, família reunida, um churrasco, musica ao vivo, vestido novo, quem sabe um bolo e até mesmo uma daquelas cascatas de chocolate iguais as da TV! Ele adorava chocolate.
          O único problema era conseguir guardar segredo do marido. Ela era horrivelmente péssima em mentir. Logo o marido descobriria.
          E ele descobriu numa noite a caminho de casa, enquanto ela preparava o assado para o jantar. Ele chegou em casa batendo a porta com força e começou a gritar. Ela não entendia o porquê da raiva dele. “O que aconteceu meu amor?!” com lagrimas nos olhos ela tinha dito.
          Mas aquele desconhecido com uma faca na mão já não era seu homem. Era frágil, inseguro e gradativamente louco.
         Não teve como se defender. E em cada punhalada que recebia do marido, esganiçava para que ele parasse, tentou até revelar-lhe da festa, mas nada pôde falar ou fazer.
         Em minutos estaria caída no chão com seu marido ao lado. Ele sofrera de um infarto. Ela de facadas. Sofreram os dois por conta dos ciúmes dele.                                   
         Tudo isso ela relataria em seu depoimento a policia meses depois, debilitada ainda e com lagrimas nos olhos, como naquela noite em que o amor morreu, pois infelizmente era a verdade. Até porque não sabia mentir.
Autora: Danielly Lopes - Araguaína/TO

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