Não é uma noite como as outras, pelo menos não para ela. A lua e as estrelas, que brilham vigorosamente, não a animam, pelo contrário, alimentam ainda mais sua dor.
Carolina é uma adolescente de imenso coração, a felicidade corre por suas artérias, seus olhos escuros transparecem todo o amor e empatia que essa garota tem, pelo menos até ontem.
Para que entenda o motivo de tal tristeza, voltaremos a, aproximadamente, um mês atrás.
Era uma noite linda, o céu estava tão iluminado pelas estrelas quanto uma cidade na noite de natal. Carol, como era chamada, comemorava, junto a alguns colegas, o aniversário de sua melhor amiga, até que algo a aborreceu.
O que aconteceu exatamente somente Ana, a aniversariante, sabe, mas eu o que desencadeia nossa história.
Carol saiu do salão, se apoiou em um carro branco, estacionado no jardim daquele lugar, olhou para o céu e começou a ligar as estrelas, procurando encontrar imagens.
Já haviam se passado uns quarenta minutos quando uma voz masculina, talvez a voz de tom mais masculino que ela já tinha escutado a tirou de seu transe.
Lindo, não é? Disse o dono da voz, aliás, dono também do carro.
Carolina acenou com a cabeça, fazendo um tímido e inseguro sinal de sim.
Eduardo é seu nome, rapaz alto, de olhos escuros e cabelos negros, simpático e encantador. Apoiou-se junto a ela e então começaram a conversar.
Horas se passaram e a menina tinha que ir para casa, desencostou do carro e disse adeus. Eduardo não a deixou ir, havia gostado dela.
Ela já estava de costas, caminhando para fora dali, quando o rapaz segurou seu braço, puxou-a para perto dele e a beijou.
Ana assistiu aquela cena, escondida entre algumas àrvores que se encontravam a poucos metros do carro. Sentiu ciúmes, mas não teve reação.
Carol e Edu passaram a se encontrar todos os dias. Iam para barzinhos, restaurantes e até saiam para dançar, mas o programa predileto era sentar na grama e contar as infinitas estrelas.
E assim três, quase quatro semanas, ou seja, até ontem.
Já era noite e Carolina estava pronta para sair. Vestida com um lindo vestido preto, pouco acima de seus joelhos. Estava, sem dúvidas, radiante.
Eduardo chega, desce do carro e abre a porta para ela entrar, porém parecia culpado.Não a beijou, não a abraçou, apenas a levou em um lugar calmo onde poderiam conversar a sós.
Então uma notícia da qual ela não esperava: Ana havia se atirado para cima de seu amor, e ele se entregou.
Um grande silêncio se formou, nenhuma reação foi encontrada. Os dois entram no carro e voltam para casa da pobre menina traída.
O céu estava fechado, nuvens pretas impediram a passagem de qualquer luz. Carol entra e Eduardo, arrependido e vendo que acabara de perder seu amor, sai de cabeça baixa.
Decepcionada, Carolina entra no seu quarto aos prantos, se deita na cama e adormece.
Hoje, depois de acordada, não saiu do quarto, não comeu e nem se quer bebeu água. Inconsolada por ter perdido, de uma só vez, sua melhor amiga e o jovem que ama.
Agora ela olha pela janela, as estrelas brilham como no dia que os dois se conheceram, mas agora não parecem brilhantes e radiantes, parecem tristes. Cada estrela uma lágrima, incontáveis lágrimas.
Autora: Maria Luiza Pacheco_Nuporanga, SP
Lágrimas e estrelas
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
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