Hoje a tarde ouvi uns barulhos estranhos, pareciam algo caindo. Fui verificar. Observei que John Lennon estava inquieto, com os olhinhos arregalados, correndo de um lado pro outro atrás de uma escura mariposa. A guerra havia começado de fato: Ela pousava no chão, ele pulava em cima dela. Em frações de segundo o inseto saía num vôo desajeitado e sem rumo definido.
Aquilo provocava John. Agora vencer a guerra era uma questão de honra.
Na minha singela ignorância, o deixei correr atordoado pela casa. "Ele nunca vai pegá-la" pensei. Eu havia lhe subestimado. Jamais façam isso.
Minutos depois, ele para na minha frente com a mariposa na boca. Em princípio, ela se debatia entre os dentes afiados de John, depois parou, imóvel, esperando o pior. Os pequenos olhos dele estavam semicerrados, parecendo dizer "Eu venci".
Ele parecia me oferecer a mariposa como um reconhecimento da sua conquista.
Subitamente, tirei o bicho da boca dele, e a mariposa saiu cambaleando no ar, deixando parte de sua asa na boca de John.
Ele ficou me encarando, frustado.
Não dei muita importância e saí dar uma volta.
Quando cheguei, entrei no meu quarto e vi a asa da mariposa no meu travesseiro.
O preto da asa quase sem envergadura em contraste com o branco da fronha do meu travesseiro.
John estava ali, nos pés da cama.
O verdume fosco de seu olhar delatava sua tristeza.
Eu acho que magoei o gato.
Autor: Cleiton Andrade - Rio Pardo/RS
John Lennon, o gato de Liverpool
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
Assinar:
Postar comentários (Atom)
rsrsrsrs
ResponderExcluirTadinho do John!!! Cleiton seu zoiudo, ele lutou tanto pela mariposa...
Era mérito todinho dele *-*
Sou fã do... John rsrsrs
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
ResponderExcluir