Ao passar pelo centro, essa movimentação urbana me assusta. Todos podem ser meus filhos. Qualquer um desses milhares de jovens.
Pode ser aquele menino de óculos fundo de garrafa, que anda apressado carregando sua mochila.
Ou aquela menina loira, que vem suja da areia branca da praia.
Talvez o casal de crianças adotadas do Tomé, o risonho pipoqueiro.
A dúvida é minha companheira inseparável.
Mas meu filho pode estar afogado. Afogado nesse frio nitrogênio líquido, congelado, aguardando o calor uterino, que nunca chegou.
Culpa do Velho Desgraçado, destruiu meus mais lindos sonhos maternos... Quebrou a vidraça cristalina que os protegiam.
Meu filho está congelado, ou é um dos passantes desse centro? A minha eterna dúvida. Minha sina.
Esse filho é um humano sem rosto. Um desejo. Contornos dissolvidos. Expressões vazias. Um grande e terrível ponto de interrogação.
Autor: Cleiton Andrade - Rio Pardo/RS
Uma Dúvida Congelada
domingo, 14 de dezembro de 2014
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Muito bom, gostei da narrativa.
ResponderExcluirInquietante essa tua narrativa Cleiton rsrsrs
ResponderExcluirMuito boa, tu continua gostando do Machado?
Daqui a pouquissimo tempo tu já o superou, segue assim pra tu ver!
:D