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Margarida Guia

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

A mãe está lá distraída, molhando as flores nos canteiros cuidadosamente construídos na frente da casa.
A mangueira laranja conduzia a água que vinha rápida do registro hídrico da casa. As mãos da mãe seguravam o suporte preto da ponta da mangueira direcionando nas pétalas das flores e depois, nas raízes.
A menininha corria de um lado pro outro, entre as flores, os cabelos esvoaçando com o vento fresco. A mãe observava sua pequena ao mesmo tempo em que aguava. A garotinha colheu uma margarida e pôs atrás da orelha, se aproximou da mãe fazendo manha:
-Manhêêê! Deixa eu aguar?
-Claro filha! Pega a mangueira aqui.
A mulher começa a varrer o pátio, abrindo o portão e tirando a sujeira pra calçada.
-Mas essa árvore está tão seca! Vou cuidar de você! Diz a pequerrucha.
Quando a mãe volta, leva um choque e grita, pondo as mãos na cabeça:
-Agatha! A minha árvore de natal!
-Pronto mamãe! Agora já podemos comer as frutinhas.
Pela árvore natalina escorria a água da mangueira, inundando toda a sala.
As “frutinhas” da árvore não anunciavam sua morte. Pelo contrário! Piscavam e piscavam!
Amarelas, verdes, vermelhas... Agatha corria pelo piso escorregadio e gritava:
-Ela vai crescer! Já podemos comer as frutinhas!
A pequena Agatha girava ao redor da árvore segurando a barra de seu vestido...
Tirou a margarida de trás da orelha, e num ato majestoso, pôs no topo da árvore.

Autor: Cleiton Andrade - Rio Pardo/RS

Um comentário

  1. Somos todos eternas crianças *-*
    Que o Menino Jesus conserve sempre em nossos corações essa tão bela simplicidade!
    Crônica linda...

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