Ali sentado no sofá, totalmente imóvel, limpinho e calado, ele parecia mais um boneco de madeira do que um menino de cinco anos. Os olhos arregalados e fixos na TV de 14 da sala comprovavam isso.
Estava como num transe enigmático; Como uma marionete sem cordões a espera de que algum Gepeto da vida o desejasse como um moleque de verdade.
A Prima que - infelizmente - não tinha cabelos azul turquesa, preocupada com o estado de espírito da estatua de criança a sua frente, receosa pela falta de infância, ofereceu-lhe uma bola, dizendo:
- Menino, desliga a TV e vai brincar lá fora!
O Menino com o olhar vago - levando quase três segundos para processar a pergunta - respondeu baixo e sem nenhum animo:
- Não quero brincar sozinho.
"Então era SÓ isso! Ele SÓ estava um pouco... SÓ!" pensou esperançosa a Prima, logo achando uma solução:
- Eu brinco contigo, Menino.
O tempo correu rápido, quase voando enquanto o Menino de madeira - que agora mais parecia feito de sonhos - seguia tarde afora brincando com sua Prima - que como que por mágica, voltara a ser pequenina do tamanho de um botão.
Ao despontar da noitinha, com a Lua querendo aparecer ao longe, o Menino já suava feito cuscuz e suas bochechas - mais coradas que o vermelho da fita nos cabelos da Prima - denunciavam quem havia de ter vencido aquela guerra fria.
Estatelado no chão ao lado da Prima, balançando as perninhas no ar, não era mais um ser imóvel, e reparando nas manchas de barro vermelho no seu short via-se que não estava mais limpinho... Ah e ainda tinha a doce canção que murmurava animado, mostrando que também não era mais tão calado assim.
Virando-se para a Prima, usando o máximo do charme que um garoto suado pode ter, pediu um pouco ofegante:
- Vamos apostar uma corrida? Não estou cansado!
E naquele momento por conta da pequena mentira, seu nariz poderia ter crescido meio metro!
Mas para a Prima, satisfeita, aquilo era só mais um detalhe... O pedido do Menino gritava alto em sua cabeça como um sincero "Me deixa ser um menino de verdade". E por isso, sorrindo, aceitou o desafio.
Eu - caro leitor - poderia jurar que por um instante naquela corrida, vi que os cabelos da Prima ganharam um sereno tom de azul e que o Menino Pinóquio tinha enfim virado um moleque de verdade.
Autora: Danielly Lopes - Araguaína/TO
Menino Pinóquio
sexta-feira, 2 de janeiro de 2015
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SOMOS TODOS ETERNAS CRIANÇAS 😍😍😍😍😍😍😍
ResponderExcluirVivendo num mundo em que as nuvens são algodão doce
Excluir*-*
Ameeeei Dany!!!
ResponderExcluirVitorinhaa minha flor obrigada!!
ExcluirAgora confere as outras crônicas são todas "mui lindas" rsrsrs
*-*